Alexandre Grunheidt, vocalista do Ancesttral, conta sua experiência na Arena Corinthians

Arena-Corinthians-Itaquerão-metrô-fechado-FuteRock Por Alexandre Grunheidt

Bem amigos do FuteRock! Sou Alexandre Grunheidt, vocalista e guitarrista do Ancesttral, Corinthiano Apostólico Paulistano e é com muito prazer que estou fazendo minha estreia por aqui! Alexandre-Grunheidt-Ancesttral-FuteRock Antes de qualquer coisa, quero deixar um agradecimento especial ao Charley Gima pelo espaço concedido para debatermos essa mistura de paixões, que é Futebol e o Rock ‘n Roll. E minha estreia por aqui foi em um ótimo momento, pois essa semana fiz outra estreia:  Minha primeira vez na Arena Corinthians.

Este foi o primeiro jogo no horário das 22 horas na Arena, o que gerou preocupação nos torcedores desde o primeiro momento, principalmente para os “iniciantes” como eu, que nunca havia ido nem nas primeiras etapas da construção. Depois de tudo que foi falado na Copa do Mundo a respeito do Metrô para ir para Itaquera, era obvio que este seria o método mais usado para chegar ao estádio.

Talvez por isso, 80% dos torcedores usaram este meio de transporte. Procurei me informar a respeito do horário de funcionamento do Metrô e dos estacionamentos em que poderia deixar meu carro.

Arena-Corinthians-Itaquerão-lateral-FuteRock Após todas essas consultas, decidi que o melhor a fazer era deixar o carro no Shopping Metrô Tatuapé e ir de Metrô, já que este estacionamento fecharia a 1 da manhã, especificamente neste dia. Ao chegar ao Metrô, à primeira surpresa agradável: Organização e sinalização. Não houve dúvidas para onde ir ou como chegar.

Meu ingresso era para o portão O, atrás do gol, junto com as torcidas organizadas. Uma caminhada de mais uns 10 minutos e já estava lá, sem fila, sem confusão. Ao entrar no estádio, minha segunda surpresa agradável: A visão do campo! É realmente um estádio diferenciado.

Se compararmos ao Pacaembu, era como se eu estivesse na arquibancada amarela, mas muito mais perto do campo e como uma visão do gol do lado oposto muito melhor! As cadeiras que lá estão (e vão sair) também são muito confortáveis para esperar a bola rolar no início do jogo ou no intervalo. Arena-Corinthians-Itaquerão-painel-FuteRock Outra coisa que tenho que tirar o chapéu para a diretoria do clube foi o que vi no intervalo: Passou um vídeo com grandes jogadores falecidos da história do Corinthians (como Gylmar dos Santos Neves, Claudio, Luizinho, Sócrates, entre outros) explicando a importância de cada um deles para o clube e no final “Eternamente dentro dos nossos corações!”. Uma atitude simples, mas que representa o respeito para com passado desses jogadores no clube e também uma lição de história para os que não conheciam esses heróis.

Quanto ao jogo, não tem muito que falar. O Corinthians poderia ter feito muito mais se tivesse um pouco mais de vontade, pois o Bahia não oferecia muita resistência. Mas cabe um destaque para o primeiro gol do Elias na sua volta ao clube e a boa movimentação do paraguaio Angel Romero. Esse já mostrou que tem estrela, chegando ao colocar o “incontestável” Romarinho como terceira opção no ataque. Arena-Corinthians-Itaquerão-torcida- corinthiana-FuteRock O serviço de áudio da Arena avisava a todo tempo: TORCEDORES: INFORMAMOS QUE A ÚLTIMA COMPOSIÇÃO SAI DO METRÔ ITAQUERA AS 00h19! O medo de perder o último trem fez com que muita gente (inclusive eu) fosse embora aos 40 minutos do segundo tempo (9 minutos antes de acabar o jogo) e não pudemos ver o gol de pênalti do Renato Augusto.

Mesmo com um bom número de torcedores saindo antes, a chegada ao Metrô foi tranquila e consegui pegar meu carro no Shopping sem problema algum. O custo disso? Míseros R$ 12,00 (R$ 6,00 de bilhetes do Metrô + R$ 6,00 de estacionamento no Shopping). Estão fazendo um grande alarde a respeito disso na imprensa, e virou até provocação dos torcedores rivais, mas isso não é nenhuma novidade.

Desde que me conheço por gente, em jogos que começaram às 22 horas no Pacaembu, pessoas já saiam um pouco antes, pois a caminhada até o Metrô é infinitamente maior do que em Itaquera. No Morumbi é ainda pior para os que usam transporte coletivo, pois você tem que pegar um ônibus para chegar ao Metrô. A solução? Ir de carro e pagar preços absurdos para os “flanelinhas” não quebrarem seus vidros ou até mesmo para não ter seu carro roubado nas ruas próximas ao estádio. O mesmo se aplica a shows, seja onde eles forem. Arena-Corinthians-Itaquerão-metrô-fechado-torcedor-corinthiano-barrado-FuteRockPor isso deixo a pergunta: O consumidor que vai a um evento (seja ele um show de rock, uma peça de teatro ou um jogo de futebol) neste horário das 22 horas e este o evento, por um acaso, terminar depois da meia-noite, o que ele faz? Ou ele sai antes de o evento acabar, ou se prepara para ir e voltar de taxi ou paga fortunas para guardar seus carros! Não existem mais opções!

Se para alguns gastar R$ 50,00 para ir de carro, só pelo prazer de ver mais 5 minutos de jogo, ok! É um direito que você tem. Se você mora perto do estádio e acha que não dói nada pagar uma bandeira 2? Maravilha! Se você quer chegar e ir embora mais rápido e gastar pouco, mas para isso poderá perder uns 8 minutos de jogo, que assim seja!

Não consigo ver nisso motivo para tanta provocação adversária. Como exemplo, cito o Rock In Rio 2013, em que saí do show do Metallica logo depois da Enter Sadman, para não ter que pegar o ônibus lotado e para não ter que sair junto com 80 mil pessoas. O que tem de mal nisso? Qual é o motivo para tanta gozação? É simplesmente uma questão de prioridades: Eu prefiro chegar em casa mais rápido e pagando menos do que ficar mais 9 minutos dentro do estádio, mesmo que para isso eu tenha que perder o terceiro gol de um jogo que já estava definido.

Acho que a discussão que começou com esse acontecimento de quarta-feira poderá beneficiar torcedores de todos os clubes! Só acho que o foco não é o horário de funcionamento do Metrô e sim O HORÁRIO DO JOGO! O Metrô precisa de manutenção e se programa para isso. Normalmente ela começa a 1 da manhã e vai até as 4h00. Por que mudar isso, quando a Rede Globo (dona do futebol brasileiro por incompetência dos clubes) pode acabar a novela 15 minutos antes (como era até algum tempo atrás) e começar o jogo as 21h45?

A Jovem Pan fez uma campanha em 2010 e um projeto de lei foi criado pelos vereadores Goulart e Agnaldo Timóteo para limitar o fim dos jogos as 23h15 e foi vetado pelo então prefeito Gilberto Kassab (para quem quiser saber mais, acesse http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2010/04/01/kassab-veta-projeto-de-lei-que-limita-os-jogos-de-futebol-ate-as-23h15.jhtm ).

Acredito que os clubes tem um ótimo motivo para questionar os horários dos jogos, seja com a televisão, seja com o poder público. E este, ao contrário do que muitos pensam, não é um problema exclusivo do Corinthians. No meu próximo jogo na Arena Corinthians, vou de carro. Assim como muitas pessoas que conheço, justamente para não ter mais que correr esse risco.

Acredito que o Metrô seja a melhor forma (e até mais barata) para chegar, mas como tudo é novidade, vamos nos adaptar a essa nova realidade. Foram anos usando o Pacaembu, Canindé e até mesmo o Morumbi e sempre achamos uma solução para nos locomover. Enchemos um estádio no Japão, que é um “pouco mais longe” que Itaquera. Não será agora que temos um estádio para chamar de nosso que a torcida Corinthiana simplesmente vai deixar de comparecer por causa de distância ou meio de transporte.

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